Associação Brasileira de Engenharia Industrial resgata seu protagonismo no cenário brasileiro

Associação Brasileira de Engenharia Industrial resgata seu protagonismo no cenário brasileiro

Faltando pouco menos de um ano para encerrar sua gestão à frente da ABEMI, o presidente Nelson Romano destaca que seu principal legado é a recuperação do protagonismo da associação no cenário nacional.

“Quanto começou essa crise, a associação submergiu. Fizemos um trabalho forte de recuperação financeira, buscamos aproximação com entidades de governo, agências reguladoras, outras associações e confederações. Participamos ativamente da discussão de temas importantes para nossos associados e para o país. Resgatamos o lugar da ABEMI no cenário brasileiro”, afirma.

Desde março de 2016, Romano, que comanda a associação num mandato único de três anos, de acordo com o novo estatuto, avalia nesta entrevista os avanços e desafios da ABEMI e fala de sua importância para as empresas associadas.

Quais as principais realizações de sua gestão até agora?

Já se passaram dois terços de minha gestão. Sem dúvida, a principal conquista é a recuperação do protagonismo da ABEMI. Quando começou a crise, a associação submergiu, com pouca movimentação. Fizemos um trabalho para a ABEMI participar de discussões relevantes envolvendo o setor. Fizemos uma integração com outras associações, participamos ativamente do movimento Produz Brasil, tivemos muita exposição na mídia, com entrevistas para vários jornais, participamos de diversas reuniões com ministérios e com agências reguladoras e de eventos nas confederações da indústria. Resgatamos o lugar da ABEMI no cenário brasileiro. Com isso, voltamos a receber consultas de autoridades do governo para a tomada de decisões e somos convidados para eventos e discussões importantes para nossos associados.

Quais são as prioridades da nova ABEMI?

Nesse período em que a ABEMI estava menos ativa, como consequência da crise econômica, perdemos parte dos nossos associados, alguns também envolvidos com a Lava Jato. Temos uma comissão trabalhando para a recuperação dos associados que saíram e para atrair novas empresas. Já estamos tendo bons resultados.

Quais as ações para buscar maior visibilidade da associação e beneficiar os setores que representa?

A comunicação social efetiva é parte fundamental do nosso esforço para resgatar o protagonismo da associação. Internamente, fizemos também uma recuperação da estrutura gerencial. Reestruturamos completamente a parte de custos. Uma das medidas foi a troca de 100% de pessoal, preservando direitos e vantagens trabalhistas. Tínhamos empregados com 30 a 45 anos de casa, um custo insustentável. Houve negociações, e tudo foi honrado. Além disso, estamos implantando o planejamento estratégico com sistema de comissões. Uma delas está tratando da recuperação de associados. Buscamos também atrair gente mais jovem de idade e de conhecimento.

O que as empresas associadas podem esperar da ABEMI?

A principal contribuição de uma associação é representar seus associados em movimentos reivindicatórios ou de luta por seus direitos ou interesses perante governos e entidades em geral. A associação de empresas que pertencem ao mesmo segmento é a essência da vida em conjunto. A própria democracia exige que certos movimentos sejam feitos por meio da representatividade. Por maior que seja, uma empresa sozinha não consegue ser recebida por um gestor público, órgão de governo ou parlamentares. A ABEMI é uma associação tradicional, com mais de 50 anos. Cada vez mais, estaremos ativos para defender o nosso setor. Além disso, voltamos a promover palestras e eventos e convênios com cursos técnicos com preço diferenciado para associados.

Como as empresas associadas podem participar da ABEMI?

Temos quatro comissões permanentes com participação aberta a representantes das empresas associadas. São as comissões de assuntos jurídicos, de recursos humanos, de engenharia de segurança, saúde e meio ambiente e de qualidade. Com calendário de reuniões e pautas, elas discutem legislações, padrões e normas e emitem diretrizes para as empresas associadas. Mas podem tratar com agilidade também de assuntos inesperados. Dois dias após a queda da medida provisória da reforma trabalhista, por exemplo, soltamos um documento informativo sobre as mudanças e os impactos para as empresas.

Quais os desafios da associação e como pretende superá-los?

Nossos desafios são esses que já estamos enfrentando, a busca de um protagonismo cada vez maior, uma comunicação cada vez mais eficiente e um atendimento ao associado cada vez melhor. Estamos investindo no dinamismo das comissões.

Como o cenário político e econômico afeta os setores de atuação das empresas associadas e quais as expectativas da associação para este e os próximos anos?

As empresas associadas são sempre afetadas pelo cenário econômico. É ele que determina oportunidades de negócios, preços e projetos. E o cenário econômico é consequência parcial do cenário político. Quando o cenário político é muito ruim, o econômico tende a se deteriorar. No governo anterior, o cenário econômico despencou antes do político por uma série de erros de gestão. Mas foi uma exceção. Hoje, o cenário político é ainda turbulento, mas com uma gestão que está permitindo certa recuperação econômica. Muitos segmentos mostram alguma recuperação, embora lenta.

Quais setores deverão se destacar nos próximos anos?

O Brasil é um país de recursos naturais. Então, os setores de metalurgia, mineração, papel e celulose, óleo e gás são setores dinâmicos. Como o país tem um potencial de crescimento grande, o setor de infraestrutura também tende a crescer, especialmente em mobilidade urbana.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso

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