Investimentos no setor de óleo e gás chegarão a R$ 672 bilhões nos próximos 10 anos

Investimentos no setor de óleo e gás chegarão a R$ 672 bilhões nos próximos 10 anos

Segundo dados do BNDES, a indústria de óleo e gás é a que apresenta o maior potencial de investimentos, R$ 291 bilhões até 2021. “Nos próximos 10 anos, o potencial chega a R$ 672 bilhões, um volume muito acima da capacidade de uma empresa só. É preciso atrair muitas empresas para investir no país”, afirma Cláudio Makarovsky, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro).

Segundo ele, as contratações previstas para a construção de novas FPSO estão movimentando o setor de óleo e gás brasileiro, abrindo muitas oportunidades para as empresas de engenharia. “Muitos desses projetos, principalmente nas unidades de produção da Petrobras no campo de Libra, preveem um percentual de engenharia para conteúdo local”, observa Makarovsky. Essa condição favorece a geração de negócios para empresas brasileiras e, consequentemente, ajuda a gerar empregos no país.

Entre esses investimentos, o executivo destaca as plataformas FPSO em Mero 1 e Mero 2, cujos ganhadores já estão definidos, e as licitações de Mero 3, prevista para o segundo semestre, e de Mero 4, alguns meses depois. Nesses empreendimentos, o percentual de conteúdo local é de 40%. Embora com previsão de conteúdo local menor, de 25%, também há oportunidades interessantes na instalação da FPSO de Búzios-5 e de Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos.

Já os blocos em oferta permanente e campos maduros, a serem desinvestidos pela Petrobras, devem trazer ao Brasil empresas de porte menor, enquanto os novos leilões da cessão onerosa se manterão com as supermajors. “Acreditamos que esses novos entrantes sejam operadoras que não têm engenharia própria”, diz Makarovsky.

 

Competência e capacidade

Dessa forma, o desafio é mostrar para os EPCistas, que estão construindo essas plataformas e as afretando para a Petrobras, que o Brasil tem competência e capacidade de realizar esse trabalho, e que também existe a regra do conteúdo local. É preciso uma articulação da engenharia brasileira para que os teores de conteúdo local não sejam disfarçados com aquisições de serviços subsea”, alerta.

Segundo o presidente da ABESPetro, há também oportunidades decorrentes das operações de descomissionamento e de venda de ativos pela Petrobras. “Serão mais de 40 plataformas descomissionadas, e isso demanda muita engenharia para definir a melhor técnica, a melhor logística e o melhor destino do topside em cada caso.

Em relação às vendas, sabemos que os ativos que a Petrobras está vendendo – tanto no onshore, offshore, downstream e midstream – ficaram anos sem qualquer investimento. Isso representa uma oportunidade imediata para oferecer serviço de “due diligence” para novos entrantes, para avaliar a integridade desses ativos e os investimentos necessários”, afirma.

Fora da Petrobras, já estão definidas a instalação de mais duas plataformas FPSO para produzir óleo e gás em Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, que serão operadas pela Equinor. Com capacidade para 220 mil barris por dia de petróleo e 15 milhões de m3/dia de gás natural, Carcará 1 será a maior plataforma do país e deve entrar em operação em 2024. A Equinor já anunciou que estuda instalar também uma FPSO no campo de Pão de Açúcar, na Bacia de Campos.

Um dos desafios do setor de óleo e gás é atuar para ampliar o fator de recuperação em campos maduros, que apresenta a vantagem de contar com toda a infraestrutura de escoamento. A média brasileira está em 24%, bem abaixo da média mundial de 35%. “Existe um estudo da ANP que calcula que investimentos de revitalização em campos maduros podem aumentar em 5 pontos percentuais o fator de recuperação, aumentando a produção em 11 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) e gerando uma arrecadação de R$ 220 bilhões em royalties. Para isso, é preciso furar mais poços e colocar mais ou realocar plataformas – exemplo de Marlim I & II e Integração Parque das Baleias, o que demanda investimentos e gera arrecadação para o estado”, conclui Makarovsky.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso

 

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