{"id":14591,"date":"2026-08-05T17:07:12","date_gmt":"2026-08-05T20:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.org.br\/?p=14591"},"modified":"2026-08-05T17:13:05","modified_gmt":"2026-08-05T20:13:05","slug":"artigo-o-brasil-tem-gas-o-desafio-agora-e-transforma-lo-em-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/artigo-o-brasil-tem-gas-o-desafio-agora-e-transforma-lo-em-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; O Brasil tem g\u00e1s. O desafio agora \u00e9 transform\u00e1-lo em desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil vive um momento singular no mercado de g\u00e1s natural. Depois de d\u00e9cadas investindo na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, especialmente com o desenvolvimento do pr\u00e9-sal, o pa\u00eds ampliou significativamente sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o. O desafio agora j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 produzir mais g\u00e1s, mas criar condi\u00e7\u00f5es para que ele chegue \u00e0 ind\u00fastria, gere competitividade e estimule novos investimentos.<\/p>\n<p>Ao longo da minha trajet\u00f3ria na engenharia industrial, acompanhei diversos ciclos de expans\u00e3o. Em todos eles, ficou claro que grandes investimentos n\u00e3o acontecem apenas porque existe demanda ou disponibilidade de recursos. Eles dependem de seguran\u00e7a regulat\u00f3ria, previsibilidade e confian\u00e7a para quem assume projetos de longo prazo.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural \u00e9 muito mais do que uma fonte de energia. \u00c9 um insumo estrat\u00e9gico para a ind\u00fastria qu\u00edmica, petroqu\u00edmica, de fertilizantes, papel e celulose, vidro, cer\u00e2mica, minera\u00e7\u00e3o e tantos outros segmentos. Seu custo e sua disponibilidade influenciam diretamente a competitividade da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira.<\/p>\n<p>Neste contexto, a iniciativa da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) de discutir o acesso de terceiros aos gasodutos e \u00e0s unidades de processamento representa um passo importante para aperfei\u00e7oar o ambiente regulat\u00f3rio. Embora seja um tema t\u00e9cnico, seus efeitos poder\u00e3o ser percebidos em toda a cadeia produtiva, ao ampliar a concorr\u00eancia e favorecer novos investimentos.<\/p>\n<p>A ABEMI acompanha essa agenda h\u00e1 v\u00e1rios anos. Em 2023 participou da Coaliz\u00e3o pela Competitividade do G\u00e1s Natural como Mat\u00e9ria-Prima, iniciativa que reuniu entidades representativas da ind\u00fastria para discutir os principais desafios do setor. O estudo elaborado pelo Instituto de Energia da PUC-Rio mostrou uma realidade que permanece atual: o Brasil produz mais g\u00e1s do que consegue disponibilizar ao mercado.<\/p>\n<p><strong>Mercado nacional<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, menos de 40% da produ\u00e7\u00e3o chega efetivamente aos consumidores. Uma parcela significativa ainda \u00e9 reinjetada por limita\u00e7\u00f5es de processamento, transporte e escoamento. O estudo indica que a elimina\u00e7\u00e3o desses gargalos poderia disponibilizar cerca de 30 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos adicionais por dia ao mercado nacional, podendo atingir 53 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos di\u00e1rios em um cen\u00e1rio de maior expans\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_14594\" aria-describedby=\"caption-attachment-14594\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14594 size-medium\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-300x240.png\" alt=\"Marcio Cancellara\" width=\"300\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-300x240.png 300w, https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-1024x819.png 1024w, https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-768x614.png 768w, https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-1536x1229.png 1536w, https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006-15x12.png 15w, https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/abemi-2608051706006.png 2000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14594\" class=\"wp-caption-text\">Marcio Cancellara, vice-presidente da ABEMI<\/figcaption><\/figure>\n<p>Esses n\u00fameros mostram que o principal desafio deixou de estar na produ\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 na infraestrutura. Nenhum gasoduto, unidade de processamento ou planta industrial surge apenas porque existe uma decis\u00e3o regulat\u00f3ria. Antes da obra existem estudos, engenharia, projetos, especifica\u00e7\u00f5es, fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos, integra\u00e7\u00e3o de sistemas, constru\u00e7\u00e3o, testes e comissionamento. \u00c9 nesse momento que as pol\u00edticas p\u00fablicas come\u00e7am efetivamente a se transformar em investimentos.<\/p>\n<p>As empresas associadas \u00e0 ABEMI participam diariamente desse processo. S\u00e3o elas que projetam, integram sistemas, constroem instala\u00e7\u00f5es industriais e transformam decis\u00f5es de investimento em ativos produtivos. Sempre que o ambiente de neg\u00f3cios ofereceu previsibilidade, a engenharia brasileira respondeu com compet\u00eancia, como ocorreu na expans\u00e3o da petroqu\u00edmica, da minera\u00e7\u00e3o, da siderurgia, da gera\u00e7\u00e3o de energia e do setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Um mercado de g\u00e1s mais competitivo beneficia muito mais do que as empresas do setor energ\u00e9tico. Ele amplia as condi\u00e7\u00f5es para que a ind\u00fastria brasileira invista, produza mais e aumente sua competitividade. O Brasil re\u00fane recursos naturais, conhecimento t\u00e9cnico, empresas experientes e uma cadeia de engenharia reconhecida internacionalmente. O que ainda precisamos consolidar \u00e9 um ambiente capaz de dar previsibilidade aos investimentos de longo prazo. Projetos dessa natureza exigem decis\u00f5es que produzir\u00e3o resultados ao longo de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o mercado de g\u00e1s vai muito al\u00e9m da energia. Ela diz respeito ao futuro da ind\u00fastria brasileira. A engenharia nacional sempre esteve presente nos momentos em que o pa\u00eds decidiu ampliar sua infraestrutura e sua capacidade produtiva. Estou convencido de que continuar\u00e1 desempenhando esse papel. O Brasil n\u00e3o precisa descobrir mais g\u00e1s. Precisa criar as condi\u00e7\u00f5es para transform\u00e1-lo em desenvolvimento industrial.<\/p>\n<p><strong>Marcio Cancellara \u00e9 engenheiro, consultor em engenharia industrial e vice-presidente a ABEMI<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive um momento singular no mercado de g\u00e1s natural. Depois de d\u00e9cadas investindo na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, especialmente com o desenvolvimento do pr\u00e9-sal, o pa\u00eds ampliou significativamente sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o. 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