{"id":7219,"date":"2018-08-27T20:21:08","date_gmt":"2018-08-27T23:21:08","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.sancho.digital\/brasil-precisaria-investir-r-300-bilhoes-por-ano-em-infraestrutura-quais-as-perspectivas-e-os-desafios-do-setor\/"},"modified":"2022-11-09T10:26:47","modified_gmt":"2022-11-09T13:26:47","slug":"brasil-precisaria-investir-r-300-bilhoes-por-ano-em-infraestrutura-quais-as-perspectivas-e-os-desafios-do-setor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/brasil-precisaria-investir-r-300-bilhoes-por-ano-em-infraestrutura-quais-as-perspectivas-e-os-desafios-do-setor\/","title":{"rendered":"Brasil precisaria investir R$ 300 bilh\u00f5es por ano em infraestrutura. Quais as perspectivas do setor"},"content":{"rendered":"<p>Depois de um ciclo de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras, o Brasil tem atravessado, nos \u00faltimos quatro anos, um per\u00edodo de paralisia de investimentos em infraestrutura.<\/p>\n<p>Por motivos diversos, mas principalmente em decorr\u00eancia do atual cen\u00e1rio fiscal e de instabilidade institucional, os investimentos em infraestrutura <strong>ca\u00edram de 2,5% do PIB, em 2014, para 1,7%. <\/strong>\u201c<strong>O m\u00ednimo de investimento necess\u00e1rio apenas para manter a infraestrutura existente no pa\u00eds deveria ser de 3%\u201d<\/strong>, destaca o diretor da Odebrecht Engenharia e Constru\u00e7\u00e3o, Saulo Vin\u00edcius Rocha Silveira.<\/p>\n<p>Entre outros impactos, a freada nos investimentos p\u00fablicos e privados em infraestrutura resultaram no fechamento de 400 mil postos de trabalho na constru\u00e7\u00e3o pesada, sem contar os reflexos em toda a cadeia de fornecedores.<\/p>\n<p>Nesta entrevista, Saulo comenta esses e outros impactos da queda nos investimentos em infraestrutura e os caminhos para a retomada do setor, que beneficiaria significativamente toda a economia e a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Newsletter ABEMI &#8211; Em que medida as crises financeira e pol\u00edtica e o ano eleitoral afetaram os investimentos no setor de infraestrutura? <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Saulo Vin\u00edcius Rocha Silveira <\/strong>&#8211; Temos assistido ao Brasil passar por uma recess\u00e3o nos \u00faltimos anos, ap\u00f3s ter vivido um ciclo de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras. Esta crise fiscal que atinge o pa\u00eds impacta diretamente a execu\u00e7\u00e3o de obras de maior vulto, mesmo aquelas j\u00e1 previstas em programas de governo, como o Avan\u00e7ar, que sucedeu o PAC. <strong>Al\u00e9m disso, s\u00f3 agora vemos uma leve recupera\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, commodity que historicamente baliza o n\u00edvel de investimentos em infraestrutura, especialmente nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/strong><\/p>\n<p>O atual cen\u00e1rio fiscal e de instabilidade institucional causou a redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente do investimento p\u00fablico, mas tamb\u00e9m do privado, derrubando os investimentos em infraestrutura de um n\u00edvel de 2,5% do PIB, em 2014, para 1,7%. O m\u00ednimo de investimento necess\u00e1rio apenas para manter a infraestrutura existente no pa\u00eds deveria ser de 3%. A t\u00edtulo de ilustra\u00e7\u00e3o, <strong>o or\u00e7amento do PAC foi reduzido de um n\u00edvel de R$ 70 bilh\u00f5es, em 2014, para R$ 17 bilh\u00f5es, em 2018, <\/strong>e os investimentos das empresas estatais est\u00e3o no n\u00edvel mais baixo desde a d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Quais fatores mais dificultam os investimentos em infraestrutura?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SV &#8211;<\/strong> A crise fiscal pela qual passa o pa\u00eds \u00e9 fator preponderante para a falta de investimentos. Por\u00e9m, ainda mais importante que isso, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica atrapalha o investimento p\u00fablico e privado em infraestrutura. Ilustra esse fato a absoluta inseguran\u00e7a dos gestores p\u00fablicos em executar as suas compet\u00eancias legais por receio de serem responsabilizados por \u00f3rg\u00e3os de controle ou judiciais. Tal problema se reflete na falta de aprova\u00e7\u00e3o de financiamentos p\u00fablicos a projetos, na m\u00e9dia de 2 mil dias para a emiss\u00e3o de licen\u00e7as ambientais; no prazo para a conclus\u00e3o de processos licitat\u00f3rios, entre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Quais as consequ\u00eancias para o pa\u00eds?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SV <\/strong>&#8211; A \u00e1rea mais afetada \u00e9, sem d\u00favida, o emprego. O setor de constru\u00e7\u00e3o pesada fechou mais de 400 mil postos de trabalho diretos entre 2013 e 2018, que representam 13% de todo o desemprego do per\u00edodo, segundo dados do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Pesada (SINICON). Os mais prejudicados pelo desemprego s\u00e3o pessoas da classe D e E (renda at\u00e9 3 sal\u00e1rios m\u00ednimos). Al\u00e9m disso, outros 62 setores, como metal\u00fargico, servi\u00e7os financeiros, alimentos, vestu\u00e1rio, m\u00e1quinas e equipamentos, que comp\u00f5em a cadeia de fornecedores da constru\u00e7\u00e3o pesada, foram diretamente afetados e continuam contando negativamente para a recupera\u00e7\u00e3o da economia, diante da paralisa\u00e7\u00e3o do setor de infraestrutura. <strong>Segundo dados do IBGE, cada R$ 1 milh\u00e3o investido no setor de constru\u00e7\u00e3o pesada gera R$ 1,4 milh\u00e3o do valor adicionado ao PIB, al\u00e9m de 46 novos postos formais de trabalho e R$ 456 mil a mais em sal\u00e1rios ao longo de um ano.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; E quais os reflexos para as empresas de engenharia?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SV &#8211; <\/strong>Por fim, o Brasil tem desperdi\u00e7ado um mercado arduamente conquistado pelas construtoras brasileiras na exporta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de engenharia e os benef\u00edcios econ\u00f4micos dela advindos. Tais exporta\u00e7\u00f5es demandam em todo o mundo apoio financeiro oficial. Desde 2014 o Brasil abdicou de apoiar o setor, resultando na retra\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no mercado internacional de 2,4% para menos de 1%. \u00c9 preciso desmitificar a origem e a destina\u00e7\u00e3o destes recursos para que a sociedade entenda a import\u00e2ncia de empresas brasileiras efetuarem obras em outros pa\u00edses, gerando emprego e renda dentro do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Quais s\u00e3o os caminhos para a retomada dos investimentos em infraestrutura?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SV<\/strong> &#8211; \u00c9 fundamental melhor definir as compet\u00eancias dos \u00f3rg\u00e3os de controle, as responsabilidades dos gestores p\u00fablicos, revisar a Lei de Licita\u00e7\u00f5es, as normas relativas ao licenciamento ambiental e o marco legal das ag\u00eancias reguladoras, de modo a aumentar sua independ\u00eancia administrativa e financeira. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio um melhor planejamento dos projetos e a prioriza\u00e7\u00e3o dos investimentos estruturantes, de modo a reduzir a escolha pol\u00edtica dos projetos e formar uma carteira de projetos maduros para serem concedidos ou licitados.<strong> O Brasil necessita investir R$ 300 bilh\u00f5es por ano em infraestrutura. Tornar esse valor realidade demanda planejamento e avan\u00e7os em seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Quando deveremos voltar a apresentar n\u00edveis de investimentos adequados?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>SV<\/strong> &#8211; A recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os das commodities e o aumento da capacidade de investimento no Brasil, num cen\u00e1rio de aprova\u00e7\u00e3o de reformas como a da Previd\u00eancia, desvincula\u00e7\u00e3o de despesas or\u00e7ament\u00e1rias e cortes de despesas podem criar um cen\u00e1rio mais promissor para retomada de obras. O Brasil ainda soma 13 milh\u00f5es de desempregados. Por isso, independentemente de quem assumir, o novo governo dever\u00e1 ter um olhar especial para o setor de infraestrutura, afinal ele \u00e9 o catalisador do investimento, da gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.<\/p>\n<p><strong><em>Editora Conte\u00fado\/Abgail Cardoso<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de um ciclo de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras, o Brasil tem atravessado, nos \u00faltimos quatro anos, um per\u00edodo de paralisia de investimentos em infraestrutura. Por motivos diversos, mas principalmente em decorr\u00eancia do atual cen\u00e1rio fiscal e de instabilidade institucional, os investimentos em infraestrutura ca\u00edram de 2,5% do PIB, em 2014, para 1,7%. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4387,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"slim_seo":{"title":"Brasil precisaria investir R$ 300 bilh\u00f5es por ano em infraestrutura. Quais as perspectivas do setor - ABEMI","description":"Depois de um ciclo de crescimento e realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras, o Brasil tem atravessado, nos \u00faltimos quatro anos, um per\u00edodo de paralisia de investimentos em"},"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-7219","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7219","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7219"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7219\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7219"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7219"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7219"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}