{"id":7291,"date":"2019-07-24T21:16:13","date_gmt":"2019-07-25T00:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.sancho.digital\/acordo-mercosul-uniao-europeia-como-isso-afeta-a-engenharia-industrial-brasileira\/"},"modified":"2022-11-09T10:26:35","modified_gmt":"2022-11-09T13:26:35","slug":"acordo-mercosul-uniao-europeia-como-isso-afeta-a-engenharia-industrial-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/acordo-mercosul-uniao-europeia-como-isso-afeta-a-engenharia-industrial-brasileira\/","title":{"rendered":"Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia: como isso afeta a engenharia industrial brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Ao mesmo tempo em que sinaliza a necessidade de grandes ajustes para continuar no mercado e disputar de igual para igual com empresas de engenharia europeias, a assinatura do Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, anunciada no fim de junho, \u00e9 muito bem-vinda para o setor, a economia e o Brasil, na vis\u00e3o de Marcelo Corr\u00eaa, diretor da ABEMI e s\u00f3cio da Remac Engenharia e Arquitetura.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma iniciativa excelente, h\u00e1 muito tempo esperada, que vai nos obrigar a nos modernizar em todos os setores para melhorar a competitividade, mas, acima de tudo, vai ser uma oportunidade de quebrar, de uma vez por todas, o famigerado custo Brasil. Somos competitivos na origem, na capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mas por problemas tribut\u00e1rios, fiscais, infraestrutura deficiente e excesso de burocracia, que transcendem as empresas de servi\u00e7os de engenharia e os demais setores, n\u00e3o conseguimos vender produtos e servi\u00e7os l\u00e1 fora\u201d, destaca Corr\u00eaa.<\/p>\n<p>Segundo ele, com o acordo rec\u00e9m-publicado, este \u00e9 o momento ideal para as empresas brasileiras come\u00e7arem a tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de longo prazo, para se prepararem para quando o acordo efetivamente come\u00e7ar a vigorar.<\/p>\n<p>Corr\u00eaa explica que a queda expressiva da demanda de servi\u00e7os, em raz\u00e3o do baixo n\u00edvel de investimento em projetos industriais e de infraestrutura nos \u00faltimos anos, fez com que muitas empresas do setor, entre elas algumas grandes, reduzissem drasticamente a marcha. Algumas praticamente pararam.<\/p>\n<p>Com isso, as empresas brasileiras de projetos e engenharia reduziram seus quadros de pessoal e deixaram de investir em moderniza\u00e7\u00e3o de tecnologias. \u201cEstamos muito defasados na corrida da ind\u00fastria 4.0. Precisamos que uma nova fase de projetos aconte\u00e7a para termos f\u00f4lego para correr atr\u00e1s desse preju\u00edzo e alcan\u00e7ar os concorrentes internacionais. Precisamos agir ou seremos engolidos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com o trunfo de conhecer as caracter\u00edsticas do mercado local, uma poss\u00edvel estrat\u00e9gia para as empresas de engenharia brasileiras pode ser buscar atuar em parceria com as estrangeiras, o que seria interessante para ambas as partes e para a gera\u00e7\u00e3o de emprego local.<\/p>\n<p><strong>Duas d\u00e9cadas<\/strong><\/p>\n<p>O Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia foi assinado depois de 20 anos de negocia\u00e7\u00f5es. <strong>\u00c9 considerado um marco hist\u00f3rico para os dois blocos, que movimentam 25% do PIB mundial e formam um mercado de 780 milh\u00f5es de consumidores. <\/strong><\/p>\n<p>Anunciado pelos Minist\u00e9rios da Economia e das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, o acordo inclui quest\u00f5es tarif\u00e1rias e regulat\u00f3rias a respeito de compras governamentais, facilita\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio, barreiras t\u00e9cnicas, medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias e propriedade intelectual.<\/p>\n<p>Comemorado pelo governo brasileiro, o acordo tira o Mercosul do isolamento. At\u00e9 ent\u00e3o, o Mercosul tinha acordos com Israel, Palestina e Egito. A assinatura foi um primeiro passo. A partir de agora, o texto ser\u00e1 avaliado pelo poder legislativo de cada pa\u00eds envolvido e pelo Parlamento Europeu. N\u00e3o h\u00e1 prazo definido para concluir essas an\u00e1lises e para a entrada em vigor do acordo, que pode levar cinco anos.<\/p>\n<p>Estimativas do Minist\u00e9rio da Economia calculam o tratado <strong>permitir\u00e1 um incremento do PIB brasileiro de US$ 87,5 bilh\u00f5es a US$ 125 bilh\u00f5es em 15 anos e crescimento dos investimentos de US$ 113 bilh\u00f5es. <\/strong><\/p>\n<p>A convite da newsletter da <strong><em>ABEMI<\/em><\/strong>, Marcelo Corr\u00eaa, que tem mais de 30 anos de atua\u00e7\u00e3o na associa\u00e7\u00e3o e j\u00e1 foi presidente da Setal e da Techint, analisa os impactos do Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3871\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Depositphotos_8202638_l-2015.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\" \/><\/p>\n<p><strong><em>Newsletter ABEMI &#8211; Como o Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia vai impactar o setor de projetos e engenharia industrial no Brasil?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Marcelo Corr\u00eaa &#8211; <\/em><\/strong>Estamos vendo algumas resist\u00eancias iniciais, mas o acordo ser\u00e1 excelente para o pa\u00eds. O Brasil representa 80% do Mercosul. Os otimistas dizem que em um ou dois anos estar\u00e1 em vigor, e os realistas estimam um prazo de at\u00e9 cinco anos. Os impactos no nosso setor ser\u00e3o indiretos. Em geral, o acordo focaliza mais agricultura e ind\u00fastria, mas ter\u00e1 reflexos em muitos segmentos. Uma das grandes vantagens \u00e9 que n\u00e3o podemos mais colocar barreiras, como sempre fizemos. A nossa ind\u00fastria e nossa economia sempre foi um mercado reservado<strong>. Isso vai acabar e obrigar o pa\u00eds a evoluir. Estamos muito atrasados na corrida da ind\u00fastria 4.0. <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; \u00c9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar o pelot\u00e3o da frente?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>MC -Com o acordo, ser\u00e3o necess\u00e1rios investimentos maci\u00e7os em infraestrutura, tecnologia, comunica\u00e7\u00e3o, gera\u00e7\u00e3o de energia, diminui\u00e7\u00e3o da burocracia, para melhorar a comunica\u00e7\u00e3o digital. Sen\u00e3o vamos ser engolidos. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o. A ideia \u00e9 fazer um com\u00e9rcio franco, aberto em todas as \u00e1reas. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio um grande volume de investimento em infraestrutura e, consequentemente, surgir\u00e3o oportunidades para as empresas de engenharia. Mas o pa\u00eds n\u00e3o tem poupan\u00e7a para isso. Investidores v\u00e3o querer tomar parte dessa oportunidade. O risco \u00e9 que investimentos empresariais estrangeiros venham com empresas de engenharia de l\u00e1. Com cuidado, temos de buscar aproxima\u00e7\u00e3o para estabelecer parcerias. N\u00e3o haver\u00e1 mais espa\u00e7o para pedir protecionismo. Vamos ter de ser pelo menos iguais a eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; O que atrapalha tanto a competitividade brasileira?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>MC &#8211; \u00c9 o famigerado, o famoso custo Brasil, que transcende as empresas de servi\u00e7o de engenharia e constru\u00e7\u00e3o. Nosso problema tribut\u00e1rio e fiscal, nossa falta de infraestrutura e nossa burocracia, tudo isso impede que a gente seja competitivo l\u00e1 fora. Somos competitivos na origem, na capacita\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o conseguimos vender servi\u00e7os l\u00e1 fora. De uns anos pra c\u00e1, for\u00e7osamente, estamos ficando para tr\u00e1s por causa da falta de investimentos. As engenharias praticamente fecharam as portas, diminu\u00edram tremendamente. Em <strong>2012, o setor empregava 500 mil profissionais, hoje n\u00e3o chega a 20 mil. N\u00e3o conseguimos investir em novas tecnologias e capacita\u00e7\u00e3o profissional.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a CNI, mais de 70% dos 24 setores industriais est\u00e3o bem atrasados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias digitais e bem longe na corrida da ind\u00fastria 4.0. Isso se aplica tamb\u00e9m \u00e0 engenharia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3872\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Depositphotos_11651396_l-2015.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1290\" \/><\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; A engenharia brasileira tem alguma vantagem competitiva para atrair o interesse de parceiros internacionais?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>MC &#8211; Nossa grande vantagem \u00e9 o conhecimento local, das nossas condi\u00e7\u00f5es de clima, trabalho, tecnologia. Na \u00e1rea de engenharia industrial, tivemos de trazer tecnologia de fora e fizemos adapta\u00e7\u00f5es. Gra\u00e7as \u00e0 Petrobras, somos avan\u00e7ados em desenvolvimento de campos, mas na hora de fazer uma unidade de produ\u00e7\u00e3o, estamos fora do mercado por problema de infraestrutura e prazo.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Quais nossos principais desafios?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para todo investimento, \u00e9 necess\u00e1rio engenharia, que precisa ser atualizada, moderna, eficaz, eficiente. N\u00e3o se pode gastar mais para fazer algo aqui do que se gastaria para fazer fora. Precisa haver moderniza\u00e7\u00e3o, qualidade, padroniza\u00e7\u00e3o, melhoria da faculdade. Nosso ensino tem de mudar<strong>. O acordo vai nos obrigar a quebrar o mito do custo Brasil e do protecionismo. Mas \u00e9 preciso investimento para podermos acompanhar, sen\u00e3o ser\u00e1 um tsunami.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>NA &#8211; Como o setor vem se preparando para come\u00e7ar a vig\u00eancia do acordo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>MC &#8211; O an\u00fancio do acordo \u00e9 recente. Ainda vai levar tempo para que seja aprovado pelos pa\u00edses do Mercosul e da Uni\u00e3o Europeia. Quanto tempo vai levar ningu\u00e9m sabe, \u00e9 pura especula\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 necess\u00e1rio se preparar, pensar em estrat\u00e9gias de longo prazo, buscar saber quais \u00e1reas ser\u00e3o priorizadas, onde estar\u00e3o as oportunidades e ir atr\u00e1s de parcerias. Ningu\u00e9m vai trazer m\u00e3o de obra da Europa, que \u00e9 muito cara. O problema \u00e9 que estamos muito debilitados, mas n\u00e3o podemos ficar parados. Esse assunto tem de estar no nosso radar.<\/p>\n<p><strong><em>Editora Conte\u00fado\/Abgail Cardoso<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao mesmo tempo em que sinaliza a necessidade de grandes ajustes para continuar no mercado e disputar de igual para igual com empresas de engenharia europeias, a assinatura do Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, anunciada no fim de junho, \u00e9 muito bem-vinda para o setor, a economia e o Brasil, na vis\u00e3o de Marcelo Corr\u00eaa, diretor da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4487,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"slim_seo":{"title":"Acordo Mercosul-Uni\u00e3o Europeia: como isso afeta a engenharia industrial brasileira - ABEMI","description":"Ao mesmo tempo em que sinaliza a necessidade de grandes ajustes para continuar no mercado e disputar de igual para igual com empresas de engenharia europeias, a"},"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-7291","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7291\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}