{"id":7327,"date":"2020-04-29T18:43:15","date_gmt":"2020-04-29T21:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.sancho.digital\/abemi-realiza-webinar-sobre-impactos-do-covid-19-e-destaca-desafios-e-oportunidades\/"},"modified":"2022-11-09T10:26:34","modified_gmt":"2022-11-09T13:26:34","slug":"abemi-realiza-webinar-sobre-impactos-do-covid-19-e-destaca-desafios-e-oportunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/abemi-realiza-webinar-sobre-impactos-do-covid-19-e-destaca-desafios-e-oportunidades\/","title":{"rendered":"ABEMI realiza webinar sobre impactos do COVID-19 e destaca desafios e oportunidades"},"content":{"rendered":"<p>Os efeitos do novo coronav\u00edrus e da maior crise de sa\u00fade p\u00fablica e humanit\u00e1ria sobre a economia foram analisados em webinar promovido pela ABEMI, no dia 23 de abril. O convidado foi o economista Ant\u00f4nio Corr\u00eaa de Lacerda, diretor da FEA-PUCSP, presidente do Conselho Federal de Economia e s\u00f3cio-diretor da AC Lacerda Consultores.<\/p>\n<p>Por meio da ferramenta Windows Teams, Lacerda falou para os associados sobre os reflexos econ\u00f4micos da pandemia e elencou os desafios e as oportunidades. \u201cEm geral, as crises afetam a demanda. Desta vez, temos uma situa\u00e7\u00e3o sem precedentes, que afeta a demanda e a oferta, provoca a interrup\u00e7\u00e3o de cadeias produtivas importantes e as atividades econ\u00f4micas. Traz muita incerteza e deteriora as expectativas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Do ponto de vista global, Lacerda destacou a queda de 13,5% da produ\u00e7\u00e3o industrial da China, segunda maior economia global, a intensifica\u00e7\u00e3o da queda do pre\u00e7o das commodities e oscila\u00e7\u00e3o das bolsas, volatilidades que acabam sendo absorvidas pelo mercado financeiro e fazem crescer a avers\u00e3o ao risco. Com isso, houve uma valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar norte-americano e uma corrida para os t\u00edtulos do governo dos Estados Unidos em busca de liquidez e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Segundo ele, a expectativa \u00e9 que o impacto da crise na economia se amenize a partir do terceiro trimestre deste ano, mas mesmo assim as dificuldades do primeiro semestre comprometer\u00e3o significativamente os resultados de 2020, a depender do desenvolvimento, da dura\u00e7\u00e3o e da sa\u00edda dessa crise sanit\u00e1ria. O IMF &#8211; World Economic Outlook Update prev\u00ea uma queda de 3% no PIB global. Apenas China e \u00cdndia aparecem na lista com previs\u00e3o de PIB positivo, mas ainda sujeitos a revis\u00e3o para o negativo.<\/p>\n<p>O caminho adotado pelos principais pa\u00edses \u00e9 bem parecido com o que est\u00e1 sendo feito no Brasil: isolamento social, testagem e educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para evitar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. No vi\u00e9s econ\u00f4mico, as medidas incluem mais redu\u00e7\u00f5es da taxa b\u00e1sica de juros, inje\u00e7\u00e3o de US$ 10 trilh\u00f5es na economia, pol\u00edticas para mitigar fal\u00eancias e garantir emprego e renda, incentivo ao cr\u00e9dito, suspens\u00e3o de cobran\u00e7a de impostos e tarifas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>O Brasil na crise<\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4162\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Depositphotos_8755728_l-2015.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"488\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Lacerda, o Brasil entra nessa crise numa situa\u00e7\u00e3o mais desconfort\u00e1vel do que as principais economias mundiais. \u201cTivemos recess\u00e3o em 2015 e 2016 e, nos tr\u00eas \u00faltimos anos, taxas de crescimento muito pequenas. Entramos na crise do novo coronav\u00edrus numa situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Nosso PIB em 2019 foi 4 pontos percentuais menor do que era antes da crise de 2008\u201d, observa.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, caiu o n\u00edvel de investimentos em infraestrutura e na ind\u00fastria. \u201cA desindustrializa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 antiga. Hoje a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no PIB est\u00e1 em 10%, j\u00e1 foi 27%. Isso tem um impacto muito grande na gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.\u201d Soma-se a isso o contingente de 26 milh\u00f5es de pessoas fora do mercado de trabalho, um n\u00famero 70% maior que em 2014. Est\u00e3o desempregadas ou fazem parte dos grupos chamados de desalentados (que desistiram de procurar emprego) ou de subocupados, que trabalham menos do que gostariam. \u201cCada desempregado, desalentado ou subocupado \u00e9 um consumidor a menos. H\u00e1 um impacto direto na economia e na vulnerabilidade social.\u201d<\/p>\n<p>Na luta contra o novo coronav\u00edrus, Lacerda enfatiza que o isolamento social se apresenta como a melhor alternativa para amenizar a press\u00e3o sobre o sistema de sa\u00fade, j\u00e1 que n\u00e3o temos infraestrutura p\u00fablica ou privada para um aumento brusco de demanda. Dos pontos de vista econ\u00f4mico e social, a pandemia dever\u00e1 ter impactos impressionantes. \u201cTudo indica que estamos na maior contra\u00e7\u00e3o do PIB da nossa hist\u00f3ria. Vivemos algo in\u00e9dito na nossa economia, uma situa\u00e7\u00e3o de absoluta exce\u00e7\u00e3o, que vai durar um tempo incalcul\u00e1vel, que depende da dura\u00e7\u00e3o da pandemia. Com isso, as expectativas ficam muito afetadas, h\u00e1 volatilidade nos mercados, na bolsa, no c\u00e2mbio e nos juros\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Conjunto de a\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Nos setores produtivos, Lacerda aponta a desarticula\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas, queda na produ\u00e7\u00e3o industrial, nas vendas no varejo, nas exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es e nos investimentos, com reflexos na ociosidade, aumento de fal\u00eancias, inadimpl\u00eancia e renegocia\u00e7\u00e3o de contratos. Quanto \u00e0s medidas tomadas, ele as classifica como necess\u00e1rias para amenizar o efeito da crise. O conjunto de a\u00e7\u00f5es tem um custo de R$ 700 bilh\u00f5es por ano, o equivalente a 10% do PIB brasileiro.<\/p>\n<p>Como o or\u00e7amento p\u00fablico n\u00e3o comporta, esses gastos dever\u00e3o ser financiados pela emiss\u00e3o de d\u00edvida p\u00fablica. \u201cPraticamente todos os pa\u00edses est\u00e3o usando esse mesmo receitu\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para uma crise como esta sem aumento de gastos p\u00fablicos.\u201d<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Lacerda, o Banco Central vem agindo relativamente bem, mas peca no principal, que \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o da liquidez e a distribui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito a taxas competitivas. O economista lembra que os juros cobrados do tomador continuam muito altos, apesar das sucessivas quedas da taxa Selic, que est\u00e1 em 3,7% e deve cair ainda mais.<\/p>\n<p>A crise afeta de diferentes maneiras os diversos setores produtivos. Constru\u00e7\u00e3o civil, a produ\u00e7\u00e3o de forma geral, turismo, hospedagem, gastronomia, bebidas, setor a\u00e9reo, escolas, cursos, treinamentos presenciais, esportes, lazer e eventos s\u00e3o os setores que mais t\u00eam sofrido em decorr\u00eancia da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades.<\/p>\n<p>Na outra m\u00e3o, h\u00e1 setores que t\u00eam se beneficiado com a crise, como servi\u00e7os, materiais, equipamentos de sa\u00fade, supermercados, alimentos, eletrodom\u00e9sticos de uso di\u00e1rio, log\u00edstica, entregas, e-commerce, lazer online, redes virtuais, banda larga, telefonia celular, aplicativos e softwares de atividades remotas, ensino e treinamento a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>O que fazer agora<\/strong><\/p>\n<p>O pa\u00eds come\u00e7a a se preparar para a sa\u00edda gradual do isolamento social e a retomada das atividades produtivas, o que \u00e9 um desafio que requer o planejamento de uma equipe t\u00e9cnica multidisciplinar, sob o risco de uma reca\u00edda. Estima-se um retorno de 9 meses a um ano para preparar a popula\u00e7\u00e3o para novos comportamentos, estabelecer regras sanit\u00e1rias, negocia\u00e7\u00e3o de escalonamento de atividades, adequa\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico. A crise deixou evidente tamb\u00e9m a necessidade de pol\u00edticas sociais mais eficientes, j\u00e1 que o pa\u00eds tem 100 milh\u00f5es de vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A pandemia, ali\u00e1s, evidenciou a desigualdade social e a necessidade de investir em infraestrutura social, habita\u00e7\u00e3o popular, saneamento e \u00e1gua pot\u00e1vel. \u201c\u00c9 um absurdo um pa\u00eds que \u00e9 a nona economia do mundo ter metade dos lares sem acesso a saneamento b\u00e1sico.\u201d Lacerda defende tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da reindustrializa\u00e7\u00e3o, para garantir a seguran\u00e7a da sociedade. Ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o, ele respondeu \u00e0s perguntas dos participantes do primeiro webinar da ABEMI.<\/p>\n<p><strong><em>Editora Conte\u00fado\/Abgail Cardoso<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os efeitos do novo coronav\u00edrus e da maior crise de sa\u00fade p\u00fablica e humanit\u00e1ria sobre a economia foram analisados em webinar promovido pela ABEMI, no dia 23 de abril. O convidado foi o economista Ant\u00f4nio Corr\u00eaa de Lacerda, diretor da FEA-PUCSP, presidente do Conselho Federal de Economia e s\u00f3cio-diretor da AC Lacerda Consultores. 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