{"id":7340,"date":"2020-07-21T19:59:53","date_gmt":"2020-07-21T22:59:53","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.sancho.digital\/conteudo-local-e-novo-papel-da-agencia-nacional-de-aguas-foram-temas-de-webinars-da-abemi\/"},"modified":"2022-11-09T10:26:20","modified_gmt":"2022-11-09T13:26:20","slug":"conteudo-local-e-novo-papel-da-agencia-nacional-de-aguas-foram-temas-de-webinars-da-abemi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/conteudo-local-e-novo-papel-da-agencia-nacional-de-aguas-foram-temas-de-webinars-da-abemi\/","title":{"rendered":"Conte\u00fado local e novo papel da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas foram temas de webinars da ABEMI"},"content":{"rendered":"<p>Em dois webinars realizados em junho, a ABEMI colocou em pauta dois temas de grande interesse da engenharia. O primeiro deles, no dia 9 de junho, sobre a pol\u00edtica de conte\u00fado local, contou com a participa\u00e7\u00e3o do superintendente de Conte\u00fado Local da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), Luiz Henrique de Oliveira Bispo. No dia 22, o superintendente-adjunto do Sistema de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), Carlos Motta Nunes, apresentou o papel da ANA no Novo Marco Regulat\u00f3rio do Saneamento.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica de Conte\u00fado Local <\/strong><\/p>\n<p>Sobre a pol\u00edtica de conte\u00fado local, definida pelo CNPE (conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica), Bispo explicou que se trata do estabelecimento, nos contratos de explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o, de uma cl\u00e1usula que garante que um percentual m\u00ednimo dos bens e servi\u00e7os adquiridos seja de fornecedores nacionais, independentemente do regime \u2013 concess\u00e3o, partilha ou cess\u00e3o onerosa.<\/p>\n<p>Bispo detalhou as varia\u00e7\u00f5es que esse percentual e formas de comprova\u00e7\u00e3o tiveram ao longo do tempo. Diferentemente de rodadas anteriores, em que bastava a emiss\u00e3o de uma nota fiscal para um CNPJ ou o processo fabril feito no Brasil, a partir da 7<sup>a<\/sup> rodada passou-se a exigir um certificado de conte\u00fado local, emitido por uma certificadora acreditada pela Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP). Desde ent\u00e3o, \u00e9 a acreditadora que apura os gastos realizados pelo operador para atestar o percentual de conte\u00fado local, de acordo com a cartilha publicada na Resolu\u00e7\u00e3o 19\/2013.<\/p>\n<p>Na fase de explora\u00e7\u00e3o, esse per\u00edodo vai da assinatura do contrato at\u00e9 a declara\u00e7\u00e3o de comercialidade do bloco, quando passa a ser um campo, ou at\u00e9 devolu\u00e7\u00e3o do bloco \u00e0 ANP, caso n\u00e3o tenha interesse comercial. J\u00e1 na etapa de desenvolvimento da fase de produ\u00e7\u00e3o, a delimita\u00e7\u00e3o do encerramento do per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa, porque, mesmo ap\u00f3s o planejamento do n\u00famero de po\u00e7os, quil\u00f4metros de linhas, esta\u00e7\u00f5es coletoras, plataformas, dutos, etc., podem ser identificadas reservas residuais que valem a pena ser extra\u00eddas.<\/p>\n<p>Para minimizar esse problema, segundo Bispo, desde a 10<sup>a<\/sup> rodada o encerramento do per\u00edodo de desenvolvimento est\u00e1 definido em contrato e pode ser de cinco ou 10 anos desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o comercial do campo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-3375\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/exploracao-de-bacia-de-campos.jpg\" alt=\"\" width=\"811\" height=\"455\" \/><\/p>\n<p>Hoje, h\u00e1 15 organismos habilitados pela ANP para atuar como certificadores de conte\u00fado local. O certificado comp\u00f5e o relat\u00f3rio que a operadora tem de organizar trimestralmente para entregar \u00e0 ANP, para mostrar o cumprimento do compromisso m\u00ednimo estabelecido em contrato de explora\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Tamb\u00e9m devem apresentar a certifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado local os contratos anteriores a 2017 que celebraram o aditivo previsto na Resolu\u00e7\u00e3o 726\/2018. Paralelamente, os organismos certificadores informam trimestralmente os certificados emitidos no per\u00edodo.<\/p>\n<p>S\u00e3o esses dados que a ANP usa para alimentar o Painel de Certifica\u00e7\u00e3o de Conte\u00fado Local publicado no site da ag\u00eancia, que teve sua primeira vers\u00e3o lan\u00e7ada em mar\u00e7o deste ano, com informa\u00e7\u00f5es sobre data da certifica\u00e7\u00e3o, n\u00famero, tipo, percentual de conte\u00fado local, validade, CNPJ. Em abril, a segunda vers\u00e3o j\u00e1 trouxe novos dados, como valores de bens e servi\u00e7os de forma agregada. O painel vai continuar evoluindo. \u201cAt\u00e9 ent\u00e3o esses dados eram publicados nos sites dos organismos certificadores. Agora, com o painel, est\u00e3o integrados e dispon\u00edveis de forma din\u00e2mica, mais amig\u00e1vel e com v\u00e1rios filtros. Permite uma vis\u00e3o geral, por certificadora, por fornecedor, por escopo. O objetivo do painel \u00e9 dar transpar\u00eancia\u201d, diz Bispo.<\/p>\n<p>O superintendente de Conte\u00fado Local da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo explicou tamb\u00e9m os casos em que se aplica o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que ser\u00e1 proposto pela ANP ao CNPE, possibilitando aos contratos que n\u00e3o puderam aderir ao aditamento previsto na Resolu\u00e7\u00e3o 1\/2018 assumir novos compromissos de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os na ind\u00fastria de petr\u00f3leo, mas fora das atividades de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. O TAC vem sendo constru\u00eddo desde 2018, j\u00e1 passou por diversas etapas e agora est\u00e1 sendo apreciado pela Procuradoria Geral da ANP, antes de ser submetido \u00e0 diretoria colegiada para ent\u00e3o ser colocado em consulta p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 2019, o Painel de Certifica\u00e7\u00e3o de Conte\u00fado Local mostra que:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>73% dos R$ 48 bilh\u00f5es de bens e servi\u00e7os certificados no Brasil em 2019 se referem a conte\u00fado local. Isso representa R$ 35 bilh\u00f5es, com m\u00e9dia de R$ 5,4 milh\u00f5es por contrato.<\/strong><\/li>\n<li><strong>Com R$ 13,2 bilh\u00f5es, constru\u00e7\u00e3o naval foi o escopo que teve maior conte\u00fado local: 61% nacional.<\/strong><\/li>\n<li><strong>O recorde de certifica\u00e7\u00e3o de conte\u00fado local foi em 2015, com R$ 130 bilh\u00f5es e 79% nacional.<\/strong><\/li>\n<li><strong>De 2009 a 2019, o valor total certificado atingiu R$ 453 bilh\u00f5es, com 76% de conte\u00fado nacional.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Marco do Saneamento b\u00e1sico <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4237\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/1667937995636ab6cbcf4de.jpg\" alt=\"\" width=\"507\" height=\"299\" \/><\/p>\n<p>Um dia depois da aprova\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do projeto de lei 4162\/2018 pelo Senado, a ABEMI recebeu num webinar o superintendente-adjunto do Sistema de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), Carlos Motta Nunes, para falar sobre o papel da ag\u00eancia no Novo Marco Regulat\u00f3rio do Saneamento.<\/p>\n<p>Desde 2019, Nunes est\u00e1 atuando na coordena\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho para dimensionar as novas atividades que a ANA agrega com a aprova\u00e7\u00e3o do novo marco do saneamento, passando a ter novo nome: Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento. Ele explicou que o novo marco regulat\u00f3rio exige que todo munic\u00edpio tenha uma ag\u00eancia reguladora ou que se associe a uma das existentes.<\/p>\n<p>Um levantamento da ANA identificou que existem pelo menos 60 ag\u00eancias reguladoras de saneamento no pa\u00eds (28 municipais, 6 intermunicipais e 25 estaduais), com capacidade instalada e n\u00edvel t\u00e9cnico e operacional muito distintos. Segundo Nunes, 34% dos munic\u00edpios hoje n\u00e3o contam com o servi\u00e7o regulado. A maioria (66%) dos munic\u00edpios est\u00e1 ligada a ag\u00eancias estaduais, e entre esses munic\u00edpios h\u00e1 uma parcela que \u00e9 regulada por mais de uma ag\u00eancia, onerando o sistema e causando inseguran\u00e7a para os operadores. Em geral, quando h\u00e1 essa sobreposi\u00e7\u00e3o, a ag\u00eancia municipal faz a fiscaliza\u00e7\u00e3o in loco, e a estadual trata das normas e da regula\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nunes explicou ainda que a maioria dessas ag\u00eancias tem um longo trabalho a desenvolver em rela\u00e7\u00e3o a temas previstos na norma regulamentadora. \u201cMuitas nem iniciaram esse trabalho. As que j\u00e1 come\u00e7aram, em geral, est\u00e3o mais avan\u00e7adas no tema rela\u00e7\u00e3o do prestador com o usu\u00e1rio. Poucas t\u00eam avan\u00e7os em tarifas e ajustes\u201d, afirma Nunes. Saber disso \u00e9 importante, segundo ele, para prever qual ser\u00e1 o impacto de novas normas de refer\u00eancia que venham a ser emitidas pela ANA. Ele afirmou ainda que a ag\u00eancia vai procurar entender o que j\u00e1 existe de bom em regulamenta\u00e7\u00e3o para usar como base para as demais ag\u00eancias e aprimorar, quando poss\u00edvel. Para isso, ser\u00e1 montado um banco de dados de normas das ag\u00eancias regulamentadoras.<\/p>\n<p><strong>Novo papel<\/strong><\/p>\n<p>Antes do PL 4162\/2018, a ANA atuava nas pontas do sistema, analisando demandas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos mananciais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades do usu\u00e1rio e no tratamento de esgotos e lan\u00e7amento de efluentes. \u201cAgora, vamos atuar no meio tamb\u00e9m, regulando a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nas cidades e na coleta de esgotos. A gente vai trabalhar com o n\u00facleo desse sistema de abastecimento de \u00e1gua e esgotamento sanit\u00e1rio\u201d, disse.<\/p>\n<p>Entre as novas atividades, est\u00e3o a realiza\u00e7\u00e3o de estudos t\u00e9cnicos, coordena\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e capacita\u00e7\u00e3o, que incluem desde a defini\u00e7\u00e3o da agenda regulat\u00f3ria e elabora\u00e7\u00e3o de normas de refer\u00eancia nacionais e de seus impactos at\u00e9 a capacita\u00e7\u00e3o das reguladoras subnacionais e a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia t\u00e9cnica aos reguladores, entre outros. Vai tratar ainda de media\u00e7\u00e3o e arbitragem volunt\u00e1ria para agilizar a resolu\u00e7\u00e3o de diverg\u00eancias entre ag\u00eancias reguladoras. \u201cSer\u00e1 um tremendo desafio, porque teremos de fazer tudo isso para todos os componentes: abastecimento de \u00e1gua, esgotamento sanit\u00e1rio, res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos e drenagem urbana\u201d, afirmou, lembrando que as maiores dificuldades est\u00e3o ligadas aos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos, j\u00e1 que nos outros temas a ANA j\u00e1 tem expertise acumulada.<\/p>\n<p>Entre as 13 normas priorit\u00e1rias a serem editadas pela ANA, est\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de qualidade e efici\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, ou seja, prover quantidade, continuidade e qualidade. \u201cMeu sonho \u00e9 ter um servi\u00e7o no padr\u00e3o de pa\u00edses em que a gente pode beber \u00e1gua da torneira com seguran\u00e7a.\u201d Outra norma importante diz respeito \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o de instrumentos negociais com regras m\u00ednimas para que os contratos de programa se aproximem o m\u00e1ximo poss\u00edvel das regras dos contratos de concess\u00e3o, com metas e par\u00e2metros de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, Nunes destacou tamb\u00e9m que a ANA n\u00e3o substitui as ag\u00eancias reguladoras locais, n\u00e3o determina tarifas \u2013 apenas a metodologia \u2013, n\u00e3o acompanha a fiscaliza\u00e7\u00e3o da qualidade dos servi\u00e7os prestadores e n\u00e3o regula diretamente as prestadoras de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Reconhecendo que a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas est\u00e1 recebendo um grande volume de novas responsabilidades, Nunes afirmou que os novos trabalhos n\u00e3o partem da estaca zero, mas tomar\u00e3o como base projetos j\u00e1 constru\u00eddos pelo antigo Minist\u00e9rio das Cidades. Uma preocupa\u00e7\u00e3o da ANA \u00e9 contribuir para a capacita\u00e7\u00e3o dos envolvidos no setor de saneamento, produzindo, depois das normas, cursos a dist\u00e2ncia e manuais. Nunes lembrou que nos temas anteriores a ANA j\u00e1 capacitou mais de 100 mil pessoas em cinco anos por meio de cursos a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><em><strong>Editora Conte\u00fado\/Abgail Cardoso<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dois webinars realizados em junho, a ABEMI colocou em pauta dois temas de grande interesse da engenharia. O primeiro deles, no dia 9 de junho, sobre a pol\u00edtica de conte\u00fado local, contou com a participa\u00e7\u00e3o do superintendente de Conte\u00fado Local da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), Luiz Henrique de Oliveira Bispo. 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