{"id":7358,"date":"2020-11-04T15:16:12","date_gmt":"2020-11-04T18:16:12","guid":{"rendered":"https:\/\/abemi.sancho.digital\/os-bons-problemas-do-novo-mercado-de-gas\/"},"modified":"2022-11-09T10:26:20","modified_gmt":"2022-11-09T13:26:20","slug":"os-bons-problemas-do-novo-mercado-de-gas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abemi.org.br\/en\/os-bons-problemas-do-novo-mercado-de-gas\/","title":{"rendered":"The good problems of the New Gas Market"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil deu passo hist\u00f3rico ao lan\u00e7ar, em 2019, o Novo Mercado de G\u00e1s (NMG). Energ\u00e9tico subutilizado, para dizer o m\u00ednimo, seu potencial parece que finalmente vai se realizar. H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia ainda sendo constru\u00eddas, como a aprova\u00e7\u00e3o do PL 6407\/13, a implanta\u00e7\u00e3o da nova regula\u00e7\u00e3o federal, pela ANP, e, na sequ\u00eancia, as novas regula\u00e7\u00f5es estaduais. A velocidade destes avan\u00e7os determinar\u00e1 o sucesso e a velocidade de materializa\u00e7\u00e3o do NMG.<\/p>\n<p>As externalidades positivas decorrentes dos avan\u00e7os do NMG trar\u00e3o tamb\u00e9m desafios para alguns setores econ\u00f4micos. S\u00e3o problemas que h\u00e1 muito o pa\u00eds deseja e precisa ter. S\u00e3o bons problemas a serem resolvidos.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 a harmoniza\u00e7\u00e3o entre as regula\u00e7\u00f5es estaduais e a federal. \u00c0 medida que o NMG produz crescimento econ\u00f4mico, enfrentaremos o bom problema de estados revisitando suas regula\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas para trazer para si mais crescimento. Testemunharemos estados formulando pol\u00edticas e regula\u00e7\u00f5es indutoras de mais atividade industrial associada ao g\u00e1s natural. Veremos saud\u00e1vel disputa por acelera\u00e7\u00e3o de crescimento econ\u00f4mico e dos efeitos sociais que dele decorrem.<\/p>\n<p>Outro grande bom problema \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o da infraestrutura necess\u00e1ria para o avan\u00e7o e materializa\u00e7\u00e3o do NMG. Este bom problema permeia toda o sistema produtivo de g\u00e1s natural, come\u00e7ando nas unidades offshore de produ\u00e7\u00e3o, passando pela infraestrutura de escoamento, processamento, transporte, distribui\u00e7\u00e3o e tratamento, e terminando nas novas unidades fabris consumidoras de g\u00e1s.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o desse bom problema passa por parcela expressiva das empresas brasileiras de engenharia e constru\u00e7\u00e3o. S\u00e3o elas que v\u00e3o construir ou modificar os chamados m\u00f3dulos das unidades offshore de produ\u00e7\u00e3o, para que o g\u00e1s seja exportado para o continente em vez de reinjetado nos reservat\u00f3rios de onde foi extra\u00eddo. S\u00e3o m\u00f3dulos complexos, que precisam tratar o g\u00e1s natural e reinjetar apenas o CO2 que est\u00e1 presente nas correntes de g\u00e1s natural extra\u00eddas do pr\u00e9-sal. O CO2, ao ser reinjetado nos reservat\u00f3rios, promove aumento de produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e fica retido nas forma\u00e7\u00f5es rochosas de onde os hidrocarbonetos s\u00e3o extra\u00eddos. H\u00e1 assim dois efeitos positivos obtidos simultaneamente.<\/p>\n<p>A quantidade adicional de g\u00e1s a ser escoado requer novas tubula\u00e7\u00f5es submarinas, interligando as unidades offshore ao continente. S\u00e3o tubula\u00e7\u00f5es de 200 a 300 km de comprimento, com di\u00e2metros de 20 a 30 polegadas. As atuais rotas 1, 2 e 3 (esta ainda em constru\u00e7\u00e3o) n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para as vaz\u00f5es adicionais. Eis outro bom problema a ser resolvido pela atividade de engenharia e constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para levar o g\u00e1s para locais muito distantes, por exemplo as regi\u00f5es amaz\u00f4nicas, existe a alternativa de se escoar a vaz\u00e3o adicional por meio de embarca\u00e7\u00f5es em que o g\u00e1s estaria comprimido a 300 bar ou liquefeito. Essa alternativa requer que empresas de engenharia e constru\u00e7\u00e3o, neste caso especializadas tamb\u00e9m no segmento naval, construam embarca\u00e7\u00f5es com caracter\u00edsticas adequadas a essa utiliza\u00e7\u00e3o. Esse bom problema pode contribuir para revitalizar a ind\u00fastria naval local.<\/p>\n<p>O g\u00e1s do pr\u00e9-sal, ao chegar ao continente, precisa ser processado e tratado. Fra\u00e7\u00f5es mais pesadas, como propano e butano, o g\u00e1s de cozinha ou GLP, precisam ser separadas do metano. O excedente de GLP contribuir\u00e1 para reduzir os pre\u00e7os internos e para exporta\u00e7\u00e3o. O metano, agora separado e tratado, pode ser ent\u00e3o transportado para outras regi\u00f5es do pa\u00eds. O processamento ocorre nas Unidades de Processamento de G\u00e1s Natural, as UPGNs. As empresas de engenharia e constru\u00e7\u00e3o ter\u00e3o assim de construir novas UPGNs ou expandir as existentes. Esse bom problema est\u00e1 na lista de desejos dessas empresas.<\/p>\n<p>O g\u00e1s produzido pelas UPGNs precisa ser transportado at\u00e9 o sistema de distribui\u00e7\u00e3o das cidades. O Brasil tem hoje cerca de 9.400 km de tubula\u00e7\u00f5es de transporte. Cerca de 1 metro por quil\u00f4metro quadrado de \u00e1rea (1 m\/km\u00b2). A Argentina tem cerca de 6 m\/km\u00b2. Se o Brasil quiser ter rede de transporte de g\u00e1s proporcional \u00e0 do pa\u00eds vizinho, as empresas de engenharia e constru\u00e7\u00e3o ter\u00e3o de construir cerca de 47 mil km de novas tubula\u00e7\u00f5es de transporte. O equivalente a 15 novos gasodutos Brasil-Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>A maior oferta de g\u00e1s resultar\u00e1 em menores pre\u00e7os e mais interesse de ind\u00fastrias que utilizam este insumo. Isso se aplica aos setores de vidro, cer\u00e2mica, fertilizantes, metais, minera\u00e7\u00e3o, siderurgia, qu\u00edmica, gera\u00e7\u00e3o termoel\u00e9trica entre outros. Empresas destes setores tender\u00e3o a construir novas unidades industriais ou a expandir as existentes. As empresas de engenharia e constru\u00e7\u00e3o mais uma vez ser\u00e3o afetadas por esse bom problema adicional.<\/p>\n<p>O NMG tem potencial para contribui\u00e7\u00f5es decisivas para a solu\u00e7\u00e3o de desafios hist\u00f3ricos de crescimento econ\u00f4mico, de empregos e de arrecada\u00e7\u00e3o do Brasil. Desafios agravados recentemente pela pandemia, da qual temos finalmente sinais inequ\u00edvocos de arrefecimento. Mas a crise econ\u00f4mica ainda precisa de coordena\u00e7\u00e3o, ousadia e disposi\u00e7\u00e3o para enfrentar os bons problemas que o NMG pode apresentar ao pa\u00eds. N\u00e3o apenas ao setor de engenharia e constru\u00e7\u00e3o, mas sim a um encadeamento de efeitos positivos que podem ser indutores de reindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4436 alignleft\" src=\"https:\/\/abemi.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unnamed.jpg\" alt=\"\" width=\"181\" height=\"322\" \/><\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em><strong>Telmo Ghiorzi, Diretor de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Industrial (ABEMI), \u00e9 engenheiro e doutor em pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil deu passo hist\u00f3rico ao lan\u00e7ar, em 2019, o Novo Mercado de G\u00e1s (NMG). 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