Na visão da ABEMI investir em refino é estratégico para o Brasil, mas faltam investimentos

Na visão da ABEMI investir em refino é estratégico para o Brasil, mas faltam investimentos

O Brasil subiu um degrau no ranking mundial de produtores de petróleo, segundo a Agência Internacional de Energia (EIA). Os 3,2 milhões de barris por dia extraídos pela Petrobras representam 3% da produção mundial, com base em dados de 2017. Com isso, o país passou o Kuwait, que produz 3,1 milhão de barris/dia.

De acordo com o diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), José Mauro Coelho, a produção de petróleo vai continuar crescendo significativamente no país nos próximos anos.

O executivo informa que a expectativa é que em 2026 a produção brasileira atinja 5,2 milhões de barris diários de petróleo, quase o dobro do que foi produzido em 2016, quando o volume ficou em 2,7 milhões de barris por dia. Em 2026, o Brasil deverá estar entre os cinco maiores exportadores de petróleo do mundo por causa da falta de investimentos em refino.

Questão estratégica

“Se não houver investimentos imediatos em refino, nossa capacidade estará exaurida em 5 ou 6 anos”, destaca o presidente da ABEMI, Nelson Romano. Segundo ele, a construção de uma refinaria é uma demanda de engenharia que leva anos, e hoje não há nada de concreto sobre novos projetos de refino em progresso. “O único projeto que está em andamento é a refinaria de Pernambuco. A primeira fase está sendo finalizada e não há previsão de quando começará a segunda”, observa.

Na análise de Romano, a não ser por algum viés político do novo presidente, é bem possível que ocorram desinvestimentos da Petrobras em refino e petroquímica. “Os debates continuam a respeito. A Petrobras não demonstra interesse em investir em refino, mas se não houver investimentos nessa área em alguns anos alcançaremos níveis preocupantes. É uma questão estratégica. O país precisa manter uma capacidade de refino minimamente compatível com o consumo interno”, afirma Romano.

Segundo ele, pela demanda de engenharia, o foco da Petrobras está centrado em óleo e gás. “Existem muitos projetos para usar gás na produção de energia. Na hora em que tiver uma política que permita um preço competitivo, o gás será uma fronteira importante. O mercado de térmicas está bastante aquecido e são previstos investimentos significativos nessa área, que tem gerado serviço para as empresas associadas à ABEMI”, informa Romano.

Sobra petróleo, falta combustível

Mesmo com uma capacidade de extração superior à demanda, o Brasil continua importando derivados. Segundo a nota técnica 194 do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em abril de 2018, o país produziu 400 mil barris de petróleo por dia a mais do que o necessário para atender o consumo. Ainda assim importou 600 mil barris de derivados/dia. A nota observa que todos os países produtores de petróleo importam derivados, pois existem petróleos com características diferentes.

Esse descompasso entre a sobra de petróleo e o volume de derivados importados tem duas explicações. A primeira é que a Petrobras vem aumentando a exportação de petróleo cru (foram 496 mil barris/dia no primeiro trimestre deste ano). A segunda é a redução da carga de suas refinarias. Com o oitavo maior parque refinador do mundo e o maior da América Latina, o Brasil tem capacidade de processamento de 2,4 milhões de barris por dia, mas está operando a 68%. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, a expectativa é de crescimento na demanda, que está em 2,2 milhões de barris por dia.

Segundo o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Décio Oddone, o Brasil precisa investir na exploração das suas reservas enquanto o petróleo é valioso. Num evento em agosto do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), Oddone afirmou que o uso crescente de tecnologias e inovações e a pressão da sociedade por baixas emissões de carbono acelerarão a transformação do mix energético. As empresas petrolíferas estimam que a demanda por petróleo atingirá o pico até 2040, levando a um ambiente competitivo para produzir as reservas em todo o mundo.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso

 

 

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