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ESG

ESG, o desafio de uma economia sustentável

O termo Environmental, Social and Governance (ESG – sigla em inglês) ou Ambiental, Social e Governança (ASG — em português) tornou-se uma forma de definir se as operações das empresas são socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas. Isso porque o conceito é usado para descrever o quanto um negócio busca meios de minimizar seus impactos ao meio ambiente, se preocupa com as pessoas e adota boas práticas administrativas. 

ESG

Com esta definição observa-se que há cada vez mais o envolvimento das empresas em torno do tema, que deixou de ser um projeto social, para se tornar um desafio na questão do desenvolvimento sustentável.

Dada a importância do tema, a diretoria da ABEMI adotou como um dos pilares de sua gestão. E para tanto, criou um comitê especifico de ESG, que tem por objetivo disseminar princípios e benefícios que vão da reputação e do aumento do valor da empresa no mercado à criação de oportunidades de desenvolvimento de novos negócios e capacidade de atrair e reter talentos. Além de promover uma reflexão sobre os três pilares da sustentabilidade“: econômico, ambiental e social. 

Para a ABEMI, a adoção de parâmetros de ESG pelos seus associados, tornam-se imperiosos já que no futuro, empresas que não gerirem corretamente seus impactos não farão parte da sociedade, nem tampouco estarão nas escolhas dos clientes e investidores.

ESG é um caminho sem volta. Os desafios são muitos, mas aqueles que incorporarem os parâmetros do ESG agregarão valor ao negócio e a toda sociedade.

Origem remota do termo

O ESG tem sua origem remota na definição de desenvolvimento sustentável, introduzida em 1987 no relatório “Nosso Futuro Comum”, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, presidida pela Primeira-Ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland.

O conceito foi popularizado em 1994 pelo sociólogo britânico Jonh Elkington, que criou o termo “Triple Bottom Line”, também conhecido como “Tripé da Sustentabilidade”.

A partir desse conceito, reforçou-se a necessidade de inserção das variáveis  ambientais e sociais na ótica econômica dos negócios.

Origem próxima do termo

O termo ESG foi cunhado pela primeira vez no relatório Who Cares Wins, Connecting Financial Markets to a Changing World, uma iniciativa conjunta desenvolvida pelo Pacto Global da ONU e diversas instituições financeiras (2005).

Neste relatório, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, escreveu a 50 diretores e CEOs das principais instituições financeiras do mundo, convidando-os a integrar princípios ESG ao mercado financeiro

Eventos recentes que potencializaram a agenda ESG

Os anos de 2019 a 2021 foram permeados de eventos que contribuíram para a potencialização da agenda ESG no Brasil e no mundo e para a sua expansão do mercado financeiro para o mercado corporativo.

Em 2019, a divulgação de importantes relatórios e pesquisas, como da Mc Kinsey e do Fundo Monetário Internacional – Global Financial Stability Report -, que atestaram a boa performance de ativos financeiros atrelados a temática ESG, acenderam as luzes para o tema.

No mesmo ano, tivemos movimentos sociais bastante  relevantes, que apontaram o foco para a necessidade de maior  cuidado com a diversidade, maior participação política e com a busca pela redução das desigualdades sociais. Ex. de movimentos: Black Lives Matters (EUA), aumento da passagem de metrô (Chile), mudanças nas condições de vida da população (Argentina), fraude eleitoral (Bolívia), lei de extradição (Hong Kong) e implantação de tarifas no WhatsApp (Líbano ), dentre outros.

Em 2020, o destaque foi para a carta do Larry Fink, CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos financeiros do mundo, direcionada aos seus clientes. O recado foi dado: RISCO CLIMÁTICO É RISCO DE INVESTIMENTO.

Também em 2020, não se pode deixar de fazer referência à  pandemia do COVID-19, que escancarou ainda mais as desigualdades sociais e os impactos das mudanças climáticas sobre as pessoas e sobre o planeta.

Eventos recentes que potencializaram a agenda ESG

Em 2021, o foco ESG se tornou ainda mais consistente em virtude da divulgação do 16º relatório “The Global Risks Report” do Fórum Econômico Mundial.

Referido relatório destaca os principais riscos que podem remodelar o nosso mundo em 2021 e na próxima década. Tem por base uma pesquisa feita por cerca de 700 especialistas e tomadores de decisão em todo o mundo, que foram questionados sobre as suas preocupações para a próxima década, como os riscos globais interagem e onde existem oportunidades para agir coletivamente para mitigar essas ameaças.

Por fim, ainda em 2021, não se poderia deixar de mencionar como grandes catalizadores do tema ESG, o 6º relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC, que sintetiza o conhecimento sobre as bases físicas das ciências relacionadas ao clima, e que concluiu ser inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre, e que impactos significativos serão sentidos no planeta nos próximos anos, bem como os resultados alcançados no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2021 (COP26).

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A adoção de parâmetros ESG demonstra que a empresa possui um PROPÓSITO em seus negócios e uma VISÃO de longo prazo.

A incorporação dos pilares Ambiental, Social e de Governança nas decisões corporativas traduz o
compromisso com a TRANSPARÊNCIA e com o uso de
FERRAMENTAS e MÉTRICAS que auxiliam no mapeamento e na mitigação dos riscos respectivos, e que demonstram o seu alinhamento com as melhores práticas.

Um dos principais aspectos relacionados aos parâmetros ESG é o da definição da MATRIZ DE MATERIALIDADE.

Trata-se do processo de identificação e mapeamento dos
temas mais importantes para a empresa em cada um dos pilares (ESG), baseado na estratégia do negócio e, também, na percepção dos stakeholders sobre os seus impactos.

Aqui, é importante ter em mente o conceito de “dupla materialidade”, criado pela Comissão Europeia, que considera os temas materiais não só
pela perspectiva dos investidores, mas, também, pelas lentes da sociedade e do meio ambiente.

Apresentaremos a seguir alguns dos principais temas materiais que são considerados sob a rubrica de cada um dos parâmetros ESG.

As boas práticas relacionadas ao parâmetro E dizem respeito à mitigação dos impactos das empresas e da indústria no meio ambiente, à sua performance e conformidade com os requisitos legais aplicáveis à proteção ambiental e a sua contribuição para a descarbonização da economia. São temas materiais sob essa perspectiva, dentre outros:

As boas práticas relacionadas ao parâmetro S refletem o relacionamento das empresas com os seus colaboradores, com os seus fornecedores, com os seus clientes e com as comunidades afetadas por
suas atividades, especialmente, e em linhas gerais, no respeito aos direitos humanos, à saúde e à segurança, ao cumprimento da legislação trabalhista e à adoção de programas de diversidade, inclusão e combate à discriminação. São temas materiais sob essa perspectiva, dentre outros:

As boas práticas relacionadas ao parâmetro G dizem respeito à forma de exercício da liderança pelos administradores, conselhos e gestores das empresas.

Tratam-se de práticas relacionadas ao conhecimento dos riscos ambientais e sociais, da transparência de sua divulgação ao mercado e do comprometimento da administração em todos os níveis com a sua mitigação. A governança ESG revela a visão e os valores da empresa, o seu compromisso com a integridade e a ética e o seu  caminho na busca por gerar impactos positivos para todos os stakeholders. São temas materiais sob essa perspectiva, dentre outros:

O que nos reserva o ano de 2022?

Iniciamos o ano de 2022 ainda sob a forte interferência da pandemia do COVID-19, e com a confirmação, pelo recém lançado “The Global Risks Report – 2022” (World Economic Forum), da severidade dos riscos ambientais e climáticos em escala global para as corporações nos  próximos 10 anos.

O mercado financeiro e os órgãos regulatórios, por sua vez, vêm fazendo o seu papel, a exemplo da inclusão pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) da exigência de informações ESG no formulário de referência das empresas listadas em bolsa.

Esse cenário, por certo, reforça a urgência de avançarmos com mais foco e eficiência na implementação da pauta ESG.

As empresas associadas da ABEMI não podem ficar fora dessa agenda.

Além de incorporarem parâmetros ESG aos seus negócios e projetos,
o que é altamente recomendável, para se adequar às exigências do mercado e do poder público, que, como dito, vêm estimulando a adoção desses critérios, podem contribuir ativamente para que assim também o façam os seus clientes, gerando valor agregado aos seus produtos e serviços, e, também, oportunidades em seus projetos.

Os desafios são inúmeros, e serão enfrentados na medida em que se caminhar, com esse propósito, no processo ESG.

Trata-se, assim, de um caminho sem volta, em que a sustentabilidade e o propósito de agir para além dos interesses da própria empresa, em benefício dos colaboradores, dos investidores, dos parceiros e fornecedores, da comunidade e do planeta, agrega valor ao negócio e à toda sociedade.