Participação ativa e liderança no desenvolvimento da engenharia industrial no Brasil

Participação ativa e liderança no desenvolvimento da engenharia industrial no Brasil

Vislumbrando um período de intenso crescimento, um grupo de 12 empresas de engenharia e montagem industrial criava, no dia 23 de maio de 1964, a ABEMI (Associação Brasileira de Engenharia e Montagens Industriais), posteriormente renomeada de Associação Brasileira de Engenharia Industrial, mas mantendo-se a sigla.

O principal motivo que uniu as empresas Brown & Root, Chicago Bridge, Contecsa, Ebe, Enir, Montreal, Sade, Servix, Setal Koppers, Techint, Tenenge e Zad para a formação da ABEMI era criar condições e capacitação para que o setor respondesse aos desafios de expansão que viriam poucos anos à frente, período que ficou conhecido como Milagre Econômico.

Nessa época, o Brasil ostentava taxas de crescimento do PIB acima de 10%. “Era um grupo de empresas pioneiras e empreendedoras, com atuação no Brasil e no exterior, que teve atuação importante no desenvolvimento da engenharia industrial no país”, lembra o diretor da ABEMI, Joaquim Maia. Foi durante o Milagre Econômico que surgiram empreendimentos vultosos nas mais diversas áreas, incluindo petroquímica, óleo e gás, geração e transmissão de energia, siderurgia, mineração, com intensa participação das associadas.

Joaquim Maia destaca a atuação relevante da ABEMI na ampliação das refinarias de petróleo, na construção de módulos e de cascos para sistemas de produção de águas profundas e na integração e partida desses sistemas.

“A ABEMI liderou o esforço de aumento do conteúdo local na área de óleo e gás, em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), SINAVAL (que representa a indústria naval), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (ABINEE)”, lembra o diretor.

Melhores práticas da engenharia

Outro destaque foi a atuação da associação na implantação e gerenciamento do PNQP (Programa Nacional de Qualificação Profissional), que qualificou 83.000 profissionais desde o nível básico até o nível de pós-graduação, preenchendo lacunas da demanda de mão de obra do setor. Ainda no campo da qualidade e produtividade, a ABEMI desenvolveu uma série de mais de 100 procedimentos de construção e engenharia para o setor de óleo e gás que foram aprovados pela Petrobras.

Como associado e um dos dirigentes da associação há mais de duas décadas, Márcio Alberto Cancellara, diretor de engenharia, destaca a atuação relevante da ABEMI na defesa dos interesses nacionais do setor e de suas associadas. “Assuntos como simplificação tributária, inovação, tecnologia e competitividade têm sempre norteado a atuação da associação, trazendo muitos benefícios ao setor”, diz.

O diretor de montagem e construção, Oscar Simonsen Júnior, aponta a importante missão social da ABEMI ao divulgar as melhores práticas de engenharia montagem em todo o território brasileiro. “Em projetos distantes dos grandes centros, as associadas geram emprego e renda e capacitam trabalhadores locais por meio de cursos e palestras e os desenvolvem profissionalmente em segurança do trabalho, saúde ocupacional e proteção ao meio ambiente.”

Alguns dos grandes projetos da engenharia

 

Petroquímica – Foram construídos três polos petroquímicos (PQU, Copene e Polosul), dezenas de processadoras downstream que transformam as matérias petroquímicas básicas (etileno, eteno) em produtos que vão desde plásticos, nitrogenados  a fertilizantes.

Siderurgia – Expansão da CSN e a implantação da Cosipa, Siderúrgica de Tubarão, Usiminas e Açominas.

Mineração – Ampliações da Vale do Rio Doce em Minas, as usinas de pelotização, o Porto de Tubarão, o complexo Carajás, a ferrovia até São Luiz, bem como Porto de Itaqui com um dos maiores shiploaders do mundo. Ainda na mineração, foram construídos o complexo de alumínio da Albras/Alunorte, a mina de Bauxita da MRN e a planta da Alcoa, em São Luiz do Maranhão.

Energia – Foram erguidas as usinas hidrelétricas do Pontal (Rosana, Taquarucu e Porto Primavera), Ilha Solteira, Furnas, Salto Osório e Salto Santiago, Tucuruí e suas eclusas, e Itaipu, entre outras.

Transmissão – Instalação de linhas de transmissão e subestações que uniram o país de Norte a Sul e de Leste a Oeste, destacando-se as linhas de Itaipu em 750 Kv em corrente contínua, pioneiras no mundo.

Óleo e gás – Construção pioneira de jaquetas para profundidades de até 200 m com seus respectivos decks e top sites. Também inovadoras pelas suas dimensões e logística (load out, transporte em barcaças especializadas e hookup dos decks e módulos. Foram Garoupa, Pargo, Pampo, entre tantas outras na bacia de Campos, Espírito Santo, Sergipe e Santos.

Refinaria – Construção e ampliações das refinarias Revap, Reduque, Relan, Replan, entre outras, e implantação de uma extensa rede de dutos e gasodutos, interligando portos e refinarias de petróleo e gás.

Pesquisa – Implantação e ampliação do CEMPES, UFRJ e empresas internacionais associadas.

Industrial – Instalação de fábricas de bebidas, equipamento, bens sob encomenda, automobilística, eletrônica, processamento agrícola, entre outras.

Editora Conteúdo/Abgail Cardoso

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