Brasil precisa investir na criação de uma cultura de produtividade

Brasil precisa investir na criação de uma cultura de produtividade

“Da mesma forma que foi criada uma cultura de segurança nas últimas décadas, é preciso criar uma jornada de produtividade, pensada durante todas as etapas de um evento”. Foi com essa afirmação que Carlos Caldas, professor do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetônica e Ambiental da Universidade do Texas, em Austin, encerrou sua apresentação no Seminário de Produtividade em Obras, realizado pela Tenenge Engenharia em julho, no Senai-Cimatec 3, em Salvador.

Questionado sobre o nível de produtividade do Brasil em comparação com outros países desenvolvidos, o especialista foi taxativo que as principais oportunidades estão na característica da mão de obra e no planejamento integrado. “É muito difícil comparar produtividade de país para país, mas arrisco dizer que a produtividade no Brasil é mais baixa se comparada com as melhores práticas mundiais. A característica de nossa mão de obra é menos multitarefa. Além disso, em geral, temos mais trabalhadores atuando em nossos canteiros do que nas obras observadas em pesquisas que realizamos nos EUA e Singapura”, revelou Caldas.

Carlos Caldas, professor do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetônica e Ambiental da Universidade do Texas, em Austin

Outro mantra defendido pelo professor é que a observação dos canteiros é tarefa fundamental para o aumento da produtividade. “É preciso identificar oportunidades de melhoria e agir. Para isso, é fundamental mais integração entre contratante e contratada no planejamento das obras, desde o início até sua fase de execução. É preciso desenvolver e acompanhar métricas, garantindo mais coordenação e comunicação no nível dos processos, e isso não envolve grandes custos”, sentenciou o especialista, que é membro do Conselho da Associação Internacional de Automação e Robótica na Construção.

Melhores práticas

A programação do Seminário foi aberta por José Vinícius Vieira, da Tenenge Engenharia, que falou sobre “Saúde, Segurança e Meio Ambiente”. Em sua fala, Vieira ressaltou que existe uma correlação muito grande entre a produtividade de uma empresa e a Segurança do Trabalho.

“Quanto mais seguro é um ambiente, menor é o número de acidentes, de doenças ocupacionais, de perdas materiais e também de problemas com clientes e órgãos de fiscalização de saúde, segurança e meio ambiente. Consequentemente, diminuímos os riscos de afastamentos, gastos com empregados licenciados, embargos e substituição de máquinas e equipamentos”, resumiu. Alejandro Castaño, diretor de Contratos da Tenenge Engenharia, abordou o aspecto humano na produtividade, além de exemplos de processos e ferramentas disponibilizados pelo CII – Construction Industry Institute, entidade baseada na Universidade do Texas (EUA).

“Tempo de ‘mão na ferramenta’ não adianta nada sem qualidade e planejamento. Em resumo, produtividade serve para reduzir prazo e custo de uma obra e, para isso, é preciso qualidade”, afirmou Castaño. Na sequência, Luis Mario Cunha Garcia Chavez, responsável pela área Corporativa de Confiabilidade e Estratégia de Manutenção da Braskem, falou sobre “Melhoria da Produtividade”.

Chavez falou sobre a visão da Braskem no tema da produtividade na manutenção, lastreada em quatro pilares: manutenção de rotina, paradas de manutenção, novas tecnologias e pessoas. “Nossa visão está construída em contratos de longo prazo baseados em desempenho, apoiados em soluções digitais, padrões e procedimentos”, revelou o executivo da Braskem.

Durante sua palestra, Chavez compartilhou as novas tecnologias implantadas em 2021 e as que estão em implantação em 2022 pela companhia, a exemplo de robôs para inspeção de linhas enterradas, disponível em carro autônomo, ou drones que acompanham limpezas de tanques. “São muitas as tecnologias e soluções digitais que podemos utilizar em prol da produtividade e da segurança”, concluiu.

Indústria 4.0

Seminário de Produtividade em Obras, realizado pela Tenenge Engenharia em julho, no Senai-Cimatec 3, em Salvador

O Seminário de Produtividade foi encerrado com a palestra sobre “Indústria 4.0”, realizada por Herman Lepikson, Pesquisador Líder do Instituto Senai de Inovação em Logística e Automação da Produção e Professor Titular no Centro Universitário Senai-Cimatec. As mudanças de paradigmas na sociedade digital nortearam a abordagem feita pelo professor. “O mundo está explodindo e nossa indústria precisa se ver dentro disso”, testificou o engenheiro mecânico.

O desafio da atração e qualificação da mão de obra foi classificado por Herman como estratégico para a nova era que chamou de “manufatura digital integrada”. “Precisamos ajustar o pensamento de ‘mão de obra para mente de obra’. Além disso, é fundamental absorver as novas tecnologias, caso contrário, seremos sempre reféns das novas invenções”, garantiu.

Todo o conteúdo do evento está disponível nos canais da Tenenge nas redes sociais. Há poucos dias, a OEC lançou um podcast sobre engenharia e inovação nas plataformas Spotify e Youtube. O conteúdo é insumo importante para estudantes e profissionais das engenharias e áreas afins.

 

 

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