Circulo amarelo esq

Opinião – Escala 6×1: mais custos, menos competitividade para a engenharia industrial

Blue White Futuristic Simple Photo Artificial Intelligence YouTube Thumbnail (33.866 x 29 cm) (42 x 29 cm) (5079 x 3425 px)

A discussão sobre a escala de trabalho 6×1 ganhou força nos últimos meses e precisa ser tratada com responsabilidade, especialmente em setores como a engenharia industrial, que possuem características operacionais próprias.Historicamente, a escala 6×1 sempre esteve presente em projetos industriais, obras de grande porte e operações contínuas. Trata-se, em muitos casos, de uma necessidade operacional, associada a prazos, contratos e à complexidade das atividades. Ainda assim, isso não significa que o modelo não deva evoluir.

A engenharia industrial passa por uma transformação relevante, impulsionada por tecnologia, ganhos de produtividade e pela necessidade de atrair e reter profissionais qualificados. Nesse contexto, discutir jornadas mais equilibradas é legítimo e necessário.

No entanto, é fundamental considerar os impactos econômicos dessa mudança. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalho formal no Brasil, o equivalente a um aumento de cerca de 7% na economia como um todo. Na indústria, esse impacto tende a ser ainda maior, podendo chegar a aproximadamente 11%.

Em um setor marcado por contratos complexos e margens pressionadas, esse efeito é significativo. A redução da jornada, sem ajustes estruturais nas operações, tende a exigir ampliação de equipes, aumento de encargos e reequilíbrio de contratos. Além disso, há um possível efeito indireto sobre o emprego. O aumento do custo por trabalhador pode levar empresas a reverem contratações, investirem mais em automação ou priorizarem eficiência interna em vez da expansão de equipes.

Impacto na competitividade

Outro ponto relevante é a pressão sobre preços e contratos. Projetos nos segmentos de energia, óleo e gás e infraestrutura já operam sob forte controle de custos. A elevação estrutural desses custos pode impactar a competitividade das empresas brasileiras e, em alguns casos, comprometer novos investimentos. Esse debate, portanto, não pode ser simplificado. É preciso avançar sem perder de vista a sustentabilidade econômica do setor. Decisões dessa dimensão devem fortalecer, e não fragilizar a capacidade das empresas de gerar empregos, investir e competir.

URA

A engenharia exige precisão, responsabilidade técnica e segurança, fatores diretamente influenciados pelas condições de trabalho. Ao mesmo tempo, depende de empresas economicamente saudáveis para continuar entregando projetos estratégicos para o país. O caminho passa por evolução. Modelos mais flexíveis, melhor planejamento das operações e o uso de tecnologia podem contribuir para um ambiente mais equilibrado, sem comprometer a eficiência e a competitividade.

A forma como organizamos o trabalho na engenharia industrial está diretamente ligada ao futuro do setor. Esse é um tema que precisa ser conduzido com maturidade, diálogo e visão de longo prazo.

Nelson Romano, presidente da ABEMI

Compartilhe:

Posts Relacionados

Artigo - O Brasil tem gás. O desafio agora é transformá-lo em desenvolvimento
Live Saúde Bucal Instagram Post (Post para Instagram (45))
O Brasil vive um momento singular no mercado de gás natural. Depois de décadas investindo na exploração de...
ABEMI destaque em reportagem do BNamericas sobre círculo virtuoso de investimentos
Post feed fotográfico moderno fashion branco e lilás (Post para Instagram (45)) (1)
A ABEMI foi destaque em reportagem publicada pela BNamericas, uma das principais plataformas de informação e inteligência de mercado...
ABEMI acompanha debates e oportunidades e negócios na Expo USIPA 2026
1000348513
A ABEMI esteve presente na 36ª edição da Expo Usipa, realizada em Ipatinga (MG), entre os dias 8...