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Opinião – Escala 6×1: mais custos, menos competitividade para a engenharia industrial

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A discussão sobre a escala de trabalho 6×1 ganhou força nos últimos meses e precisa ser tratada com responsabilidade, especialmente em setores como a engenharia industrial, que possuem características operacionais próprias.Historicamente, a escala 6×1 sempre esteve presente em projetos industriais, obras de grande porte e operações contínuas. Trata-se, em muitos casos, de uma necessidade operacional, associada a prazos, contratos e à complexidade das atividades. Ainda assim, isso não significa que o modelo não deva evoluir.

A engenharia industrial passa por uma transformação relevante, impulsionada por tecnologia, ganhos de produtividade e pela necessidade de atrair e reter profissionais qualificados. Nesse contexto, discutir jornadas mais equilibradas é legítimo e necessário.

No entanto, é fundamental considerar os impactos econômicos dessa mudança. Estimativas indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267 bilhões por ano os custos com trabalho formal no Brasil, o equivalente a um aumento de cerca de 7% na economia como um todo. Na indústria, esse impacto tende a ser ainda maior, podendo chegar a aproximadamente 11%.

Em um setor marcado por contratos complexos e margens pressionadas, esse efeito é significativo. A redução da jornada, sem ajustes estruturais nas operações, tende a exigir ampliação de equipes, aumento de encargos e reequilíbrio de contratos. Além disso, há um possível efeito indireto sobre o emprego. O aumento do custo por trabalhador pode levar empresas a reverem contratações, investirem mais em automação ou priorizarem eficiência interna em vez da expansão de equipes.

Impacto na competitividade

Outro ponto relevante é a pressão sobre preços e contratos. Projetos nos segmentos de energia, óleo e gás e infraestrutura já operam sob forte controle de custos. A elevação estrutural desses custos pode impactar a competitividade das empresas brasileiras e, em alguns casos, comprometer novos investimentos. Esse debate, portanto, não pode ser simplificado. É preciso avançar sem perder de vista a sustentabilidade econômica do setor. Decisões dessa dimensão devem fortalecer, e não fragilizar a capacidade das empresas de gerar empregos, investir e competir.

URA

A engenharia exige precisão, responsabilidade técnica e segurança, fatores diretamente influenciados pelas condições de trabalho. Ao mesmo tempo, depende de empresas economicamente saudáveis para continuar entregando projetos estratégicos para o país. O caminho passa por evolução. Modelos mais flexíveis, melhor planejamento das operações e o uso de tecnologia podem contribuir para um ambiente mais equilibrado, sem comprometer a eficiência e a competitividade.

A forma como organizamos o trabalho na engenharia industrial está diretamente ligada ao futuro do setor. Esse é um tema que precisa ser conduzido com maturidade, diálogo e visão de longo prazo.

Nelson Romano, presidente da ABEMI

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