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Gerente de Descomissionamento da Petrobras afirma que Brasil tem desafios específicos

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Até o final deste ano, a Petrobras terá subsídios técnicos suficientes para selecionar as alternativas mais indicadas para o descomissionamento de sistemas submarinos. Um grupo de 45 profissionais vem realizando uma análise comparativa das várias metodologias para realizar esse processo, que exige uma engenharia específica, focada em segurança.

A informação é de Eduardo Zacaron, gerente de Descomissionamento da Petrobras, que fez uma palestra, no dia 19 de fevereiro, na ABEMI – Associação Brasileira de Engenharia Industrial. As diretrizes metodológicas de descomissionamento estão sendo estudadas em cooperação com a COPPE-UFRJ – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segurança, meio ambiente, aspectos sociais, técnicos e econômicos são os fatores analisados para definir a melhor alternativa num descomissionamento de sistemas submarinos. “Dos 16 subcritérios derivados desses fatores, 11 são de segurança e meio ambiente”, destacou Zacaron.

Segundo ele, em todo o mundo, a atividade de descomissionamento submarino ainda é incipiente. “E o cenário brasileiro possui desafios específicos, como a variação de profundidade onde estão os equipamentos”, lembrou. A variedade de lâmina d’água é ampla, vai de 15 a mil metros.

Processo em evolução

Depois de lembrar que o descomissionamento é uma etapa natural do ciclo de vida de produção de um campo, Zacaron destacou que o Brasil tem a maior quantidade de sistemas submarinos em operação do mundo. O desafio é encontrar a melhor alternativa de destinação.

A extensão da atividade operacional desses sistemas e o reaproveitamento dos equipamentos em outros projetos são duas das possibilidades avaliadas quando começam a ser feitos os estudos de descomissionamento – iniciados com os sistemas ainda em produção. Também são analisadas as possibilidades de deixar os equipamentos no fundo do mar para que sirvam como corais artificiais.

“Todo o aprendizado vem sendo incorporado ao longo do processo”, reforçou. Muitas dessas questões dependem ainda, porém, de regulamentação. “O arcabouço regulatório está em evolução no Brasil, com envolvimento de empresas, órgãos reguladores e academia”, resumiu Zacaron.

 

Demanda crescente

O executivo da Petrobras informou que a empresa tem hoje oito projetos de descomissionamento de plataformas offshore em andamento, que já estão protocolados nos órgãos ambientais e devem ser concluídos até 2021. Entre as unidades de produção que já tiveram processo de descomissionamento iniciado estão as plataformas P-07, P-12, P-15, P-33 e Piranema. “Haverá novas oportunidades, que estão agora em fase inicial de análise”, afirmou.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo, 68 plataformas da Petrobras têm mais de 25 anos de implantação, 30 têm entre 15 e 25 anos, e 62 têm menos de 15 anos, um cenário que indica aumento da demanda de projetos de descomissionamento nos próximos anos.

O conselheiro da ABEMI e presidente da Fluxo Soluções Integradas Ltda.,  Hideo Hama, lembra que o plano de descomissionamento da Petrobras representa uma grande oportunidade para o setor de engenharia, de operação, fabricantes de equipamentos, entidades de proteção ambiental, provedores de tecnologia e até escritórios de advocacia ligados ao setor de óleo e gás, que atravessaram anos de baixa demanda de novos projetos.

Para se ter uma ideia dos impactos desse tipo de demanda, no Mar do Norte o orçamento para as atividades de desmontagem de 349 campos de extração de petróleo e 7.800 quilômetros de pipelines é de 17 bilhões de libras esterlinas nos próximos 9 anos.

Para saber mais, assista à palestra de Eduardo Zacaron clicando aqui: https://youtu.be/0qDeSYOpXH8

Editora Conteúdo/Inês Caravaggi

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