A mineração está vivendo uma mudança sem precedentes. Impulsionada pela transição energética, pela busca por maior segurança no abastecimento de minerais críticos e pelos compromissos globais de redução das emissões de carbono, a atividade passa por uma profunda transformação tecnológica e operacional. Essa é a chamada nova era da mineração.
Mais do que ampliar a produção de minerais estratégicos, como cobre, lítio, níquel, grafite e terras raras, o desafio agora é produzir de forma mais eficiente, segura e sustentável. É nesse contexto que ganha força o conceito de descarbonização mineral: reduzir a pegada de carbono de toda a cadeia produtiva, da extração ao beneficiamento, incorporando energia limpa, automação, digitalização, economia circular e processos industriais de menor impacto ambiental.
Esse movimento já ocupa espaço nas principais discussões sobre desenvolvimento econômico e competitividade industrial. O Brasil, por sua riqueza mineral e por sua matriz elétrica predominantemente renovável, reúne condições para assumir uma posição de destaque nesse cenário. Mas transformar esse potencial em liderança exigirá muito mais do que recursos naturais. Exigirá engenharia.
A descarbonização mineral não acontece apenas com novos equipamentos ou metas ambientais. Ela depende da capacidade de projetar plantas industriais mais eficientes, integrar tecnologias digitais, modernizar processos, ampliar a automação, reduzir o consumo de energia e desenvolver soluções que aumentem simultaneamente a produtividade, a segurança operacional e o desempenho ambiental.
Papel estratégico
É justamente nesse ponto que a engenharia industrial assume um papel estratégico. As empresas de engenharia serão protagonistas na implantação de novas plantas de beneficiamento, na modernização das operações existentes, na eletrificação de processos, na integração entre mineração, siderurgia, logística e energia e na incorporação de tecnologias como inteligência artificial, monitoramento em tempo real e gêmeos digitais.
A siderurgia acompanha essa transformação. A busca por processos de menor intensidade de carbono, maior eficiência energética e inovação tecnológica amplia a necessidade de projetos industriais cada vez mais sofisticados, capazes de responder às novas exigências dos mercados globais.

Para o Brasil, essa representa uma oportunidade histórica. O país não deve limitar sua participação ao fornecimento de matérias-primas. É preciso agregar valor por meio da engenharia, da tecnologia, da industrialização e da inovação, fortalecendo uma cadeia produtiva capaz de gerar conhecimento, empregos qualificados e maior competitividade internacional.
É com essa visão que a ABEMI amplia sua atuação para os setores de mineração e siderurgia. A entidade reconhece que esses segmentos estarão entre os principais vetores do desenvolvimento industrial nas próximas décadas e que a engenharia brasileira tem todas as condições para contribuir de forma decisiva com essa evolução. A nova era da mineração já começou. E seu sucesso dependerá da capacidade de unir inovação, sustentabilidade e excelência em engenharia. Mais do que acompanhar essa transformação, a engenharia industrial brasileira está preparada para liderá-la.
Itaércio Marinho, Diretor de Relações Institucionais da ABEMI